Cervejas na Bélgica

O sonho de todo amante de cerveja é visitar a Bélgica! Fomos conferir o que de tão especial o país tinha a oferecer.

A Bélgica começou a produzir cerveja no século XII e as tradicionais Trapistas (cervejas fabricadas por monges, em monastérios) foram desenvolvidas a partir século do XVII. 

Logo que chegamos em Bruxelas, nossa anfitriã nos levou a um bar para degustar dois clássicos: Westmalle Tripel (uma das melhores Tripel belgas... balanceada, complexa, cremosa, com aroma e sabor frutado contrabalanceando com um leve amargor do lúpulo e final seco e agradável) e a Chimay Blue (trapista escura, com sabor intenso de frutas escuras e malte torrado). 

No dia seguinte fomos no Au Bon Vieux Temps e pedi uma Bourgogne des Flandres (cerveja azeda com bastante gosto avinagrado...Muito boa!). 

A tarde foi a vez de visitarmos a tradicional cervejaria, A La Mort Subite e experimentei a Gueuze sur Lie (bem  ácida, carbonatada, e com leve dulçor de malte). A cerveja foi servida em temperatura ambiente. 
Em seguida, fomos à meca dos cervejeiros: o Delirium Cafe. O local conta com nada mais nada menos que 2.004 rótulos e uma enorme variedade on tap. O espaço é gigantesco e possui aquela decoração pitoresca de bar de cerveja! Foi bem difícil escolher, mas iniciei os trabalhos com a Houblon Chouffe Dobbelen IPA (cítrica, herbal, equilibrada, aromática, com bastante presença de álcool - maravilhosa!) e a Tai foi de Delirum Red (cerveja adocicada e frutada de cereja, com final ligeiramente azedo). 

Para quem acha que os monges só fazem cerveja, estão muito enganados. Experimentamos o queijo trapista Chimay Grand Classic, que arrisco a dizer: foi o melhor queijo que comi na minha vida, absolutamente fantástico! 

Próxima pedida, fui inventar e escolhi a Forestinne Mysteria (cerveja fermentada com pera e corpo leve) que estava on tap e quebrei a cara :/ .... Nada como uma cerveja após a outra e fomos ao segundo andar do local e pedi a indicação da casa: Sainte Hélène Barley Wine (12% abv, encorpada, com gosto pronunciado de caramelo e frutas escuras derivadas do malte. Final com amargor do lúpulo e uma potência no álcool) uma cerveja espetacular para fechar a noite. 





No dia seguinte, paramos em um bar qualquer para fugir da chuva e a Tai pediu a Battin Fruitée e eu uma Floreffe Blonde... ambos erramos! Cervejas bem ordinárias.

O próximo bar foi o Moeder Lambic que era super agradável e com várias cervejas on tap. Tai pediu a Tripel Caulier 28 e eu fui de Taras Boulba (uma blond ale excelente, aromática, refrescante, com final picante e bem balanceada), segundo round foi de Troubadour Magma (uma IPA belga que mistura toques frutados de uma Tripel com o amargor de uma IPA - sensacional) e eu fui de XX Bitter (uma blond/bitter ale cremosa, balanceando muito bem o lúpulo e o malte). Terceiro round vindo aí com a Zinnerbier (mais uma blond ale, só que com um gosto mais puxado para a levedura com final longo, complexo e intenso - Espetacular!) e a Tai foi de Noir De Dottignies



A noite fomos no Poechenellekelder e foi a vez de degustar as clássicas. Tai foi de Tripel Karmeliet (conjunto perfeito! condimentada, apimentada, levemente adocicada e carbonatação na medida) e eu escolhi a trapista Orval (espuma espessa e perene, com coloração turva; sabor complexo de sua típica levedura selvagem... difícil de explicar, mas deliciosa de beber). 


Saímos de Bruxelas e fomos para Ghent, onde paramos para almoçar no ABA-jour com vista para o rio Leie e pedi uma Arend Tripel (aroma de frutas tropicais e sabores bem sutis, aliados a um final levemente picante). 

De lá, fomos ao 't Velootje, um dos bares mais bizarros que já vimos... a decoração era uma zona, com o dono do bar bebendo lá fora com a gente e que nos Indicou duas cervejas, a Gentse Blonde e a Amber... ambas beeem ordinárias!! 


Próximo passo foi o excelente bar Het Waterhuis aan de Bierkan, ao longo do rio. Iniciei os trabalho com a Duchesse de Bourgogne (azeda, ácida e ligeiramente frutada) e a Tai foi de Kwak (cerveja forte, robusta e bem maltada, com notas de frutas vermelhas) no copo característico dessa cerveja. A próxima rodada consistiu de Rodenbach Grand Cru (ótima flanders red ale com alta carbonatação, acidez na medida, levemente frutada e um belo corpo).



De lá partimos para uma loja de bebidas para levar duas para o hotel - Liefmans Goudenband (outra obra de arte... complexa e equilibrada, azeda, mas com alguma doçura de caramelo e toques de passas e maçãs) e a Valeir Extra (IPA belga interessante, bem suave e refrescante com leve amargor). 
No dia seguinte iniciamos a baratona com um dos nossos bares favoritos, o Trappistenhuis, que tinha uma decoração muito agradável, era espaçoso e com um cardápio bem extenso de cerveja. Como ainda tínhamos o dia todo pela frente, resolvi tomar apenas uma... a Arabier (uma das melhores que tomei... equilíbrio perfeito entre o lúpulo cítrico, malte e a maravilhosa levedura... um espetáculo). 

Depois fomos no Carrefour comprar as clássicas Westmalle Tripel (review feito acima) e Chimay Tripel (uma Tripel subestimada, mas com sabor único... boa formação de espuma, mais puxado para o amargo, levemente frutada, com final seco e longo), pela bagatela de €3,03. 
A tarde fomos no 't Galgenhuisje, um bar old school, bem rústico... sentamos no segundo andar e pedi mais uma trapista, a Westmalle Dubbel (sem sombra de dúvidas, a melhor Dubbel que já bebi...sabor rico e complexo, bastante corpo, frutada, levemente adocidaca, final ligeiramente amargo, equilibrada no álcool... absurda!).

Logo após retornamos para o Het Waterhuis aan de Bierkant e foi a vez da Tai pedir a Bacchus Oud Bruin on tap (gosto azedo, avinagrado, com final refrescante e agradável).
Para fechar o dia, retornamos ao primeiro bar (um dos favoritos), o Trappistenhuis. A Tai pediu uma La Trappe Tripel (bem aromática, com sabor frutado e toques de banana). Eu fui de Witkap Pater Stimulo (blond ale sem muito a acrescentar!). 

Próxima cidade que visitamos foi Bruges e nossa primeira parada foi na Bierbrasserie Cambrinus. Tai pediu uma Kasteel Rouge (cerveja frutada de cereja, bem adocicada) e eu pedi uma Vicaris Generaal (Uma red/brown ale excelente... escura, com bastante gosto de malte torrado e encorpada). 



A tarde fomos no Cafe Rose Red que contava com uma decoração sensacional com rosas no teto e ambiente super agradável. Abri o cardápio e dei de cara com uma taça de DEUS por €6. Não pensei duas vezes e pedi. Muito se especula sobre ela e aqui vai o meu veredito. Essa cerveja é fermentada por 1 mês com dois tipos de levedura diferentes, depois refermentada e engarrafada. Permanece durante 9 meses em uma adega enquanto é girada constantemente. Esse processo dá a ela uma característica achampanhada. Bem carbonatada, frutada, complexa, refrescante, com final seco e adocicado. As borbulhas limpam o palato e fazem a cerveja descer muito bem. Daria uma nota 8.5 pra ela... completamente diferente de tudo que bebi e bem interessante pela sua complexidade! Ótima para servir como aperitivo antes de uma refeição. Taiane não ficou pra trás e pediu uma das top 3 da viagem... a Cantillon Kriek (Lambic de cereja envelhecida em barris de carvalho... cerveja azeda, com alta acidez derivada da fermentação da cereja...final com toque de carvalho e bem seco, pedindo o próximo gole. Absolutamente perfeita!!). 


De lá, fomos direto para o próximo bar, o The Druid's Cellar. A Tai pediu a clássica cerveja do elefante rosa, a Delirium Tremens (uma strong ale de peso... alcoólica, com malte bem presente e notas de especiarías vindas do lúpulo) e eu pedi uma Troubadour Magma (review feito acima). 




Sem perder o rítimo, fomos para o La Trappiste, que em termos de estrutura foi de longe o bar mais foda que já visitamos (com sustentação por arcos no subsolo). Pedi uma que já estava a anos querendo.. a Pannepot, da De Struisse (Que cerveja... cruzando a linha entre Belgian strong dark ale e a stout. Textura licorosa, espuma cremosa, extremamente complexa, amargor tostado contrastando com o doce do caramelo empurrado por 10% de álcool...um espetáculo!) e a Tai foi de La Chouffe Blond (condimentada, cítrica, floral, com toques de coentro e lúpulo bem inserido). 



No dia seguinte, visitamos uma cervejaria no centro da cidade... a De Garre. O ambiente era acolhedor, tocando música clássica, com locais bebendo cerveja. Pedimos a Tripel da casa e essa foi uma sábia decisão. Ela era servida on tap com perfeição, formando uma linda camada de espuma espessa no copo dela (espetacular, por sinal). Mas a grande surpresa veio no primeiro gole... que cerveja absurdamente deliciosa, fresca, encorpada, potente no álcool, frutada na medida, aromática... eleita a melhor Tripel da viagem e umas das top 5 de todas que bebemos. 


Entre um bar e outro, passamos em uma loja de bebidas para comprar a Westvleteren 12 (eleita por muitos, a melhor cerveja do mundo) e a De Struise Black Albert 0 (review mais pra frente) que acabamos trazendo para o Brasil. 

Retornamos ao Cafe Rose Red para um segundo round. Tai foi de St. Bernardus Tripel (Bem carbonatada, picante e presença marcante de levedura belga e dulçor do malte) e eu escolhi a deliciosa Oude Kriek Vielle (uma autêntica Lambic belga... frutada, azeda, com leve gosto de amêndoa. A acidez é complementada pelo adocicado natural da cereja). 

De lá, fomos para a Bierbrasserie Cambrinus e a Tai pediu a Gouden Carolus Tripel (Encorpada, bem alcoólica e ligeiramente adocicada) e eu meti o pé na jaca e pedi a Gulden Draak 9000 Quadruple (10.5% abv, cremosa, rica, complexa, notas de caramelo, açucar mascavo, frutas escuras... como uma quad deve ser!). 


Para nos despedir de Bruge, voltamos na De Garre! Taiane não quis arriscar e pediu novamente a Tripel da casa e eu dei uma olhada no vasto cardápio e escolhi a 3 Fonteinen Oude Geuze. Empatado com a Cantillon, essa foi a melhor Lambic que já bebi na vida (Azeda na medida, terrosa, incrívelmente complexa, carbonatada como uma Champagne e bem refrescante). Engraçado como esse estilo Lambic/Sour inicialmente desagrada a maioria das pessoas e depois vira uma cerveja que você fica completamente apaixonado.
Próxima cidade foi a encantadora Antuérpia e o nosso primeiro bar foi o 't Waagstuk. Não ficamos muito impressionados com o local... pedi uma Omer (Blond com 8% abv bem escondidos, ligeiramente amarga, com notas de limão e malte abiscoitado). Logo após pedi uma Mort Subite Original Gueuze e achei bem ordinária.

Próximo bar foi o Pater's Vaetje, com um ambiente bem mais agradável. A Taiane pediu a La Corne Tripel servida no copo de chifre. Antes de viajar, eu tinha uma cerveja favorita, e durante todo esse tempo na Bélgica, acreditava que tomaria uma cerveja melhor que ela. Bom, pedi a trapista Rochefort 10 para tirar a prova dos nove e vi que ela continuava sendo DE LONGE, a cerveja mais foda que já havia bebido em toda minha vida. É até difícil colocar em palavras o quão perfeita essa cerveja é. Coloração marrom escura e aroma de caramelo, defumado e amêndoa... O primeiro gole vem com uma explosão de sabores... ameixa, uva passa, tostado, figo, chocolate amargo, baunilha e toques sutis de especiarias. Forte (11.3%abv), rica, encorpada, complexa, sem ser agressiva. Todos os ingredientes se fundem perfeitamente tornando essa cerveja uma obra de arte.

Após todo esse deleite, fomos no 't Antwaerps Bierhuyske. Agora foi a vez da Taiane achar a cerveja favorita dela da viagem, a Avec Les Bons Voeux (Saison turva, efervecente, com características terrosas, amargas e secas derivadas do lúpulo, contrabalanceando com notas frutadas. A levedura contribui maravilhosamente com toques de limão, pimenta e ervas. Salivante e deliciosa!). Eu não fiquei pra tras e pedi a Oude Gueuze Tilquin (envelhedida em barril de carvalho, tem como característica o sabor azedo, ácido, mas conta com um dulçor que deixa a cerveja balanceada. Final seco e amargo com leve gosto de tanino). Segunda rodada, Tai foi de Gentse Tripel (OK, sem comparação com as outras) e eu mantive a linha das Lambics e pedi Cantillon Kriek (review feito acima).



Essas seriam as saideiras, mas descobrimos que tinha um festival ao ar livre... não poderia deixar a Bélgica sem tomar uma das mais tradicionais cervejas do país... a Duvel (um clássico! Aroma cítrico do lúpulo, encorpada, ligeiramente frutada, com notas de especiarias. Carbonatada, com leve amargor no final). 

Último dia na Bélgica, portanto tínhamos que aproveitar ao máximo. Começamos indo ao Gollem, e sentamos do lado de fora para aproveitar o sol. Taiane pediu uma velha conhecida, a Kriek Boon (Lambic de cereja, adocicada, com baixo teor de alcoól e fácil de beber) e eu pedi a famosa Westvleteren Blond (Bem elaborada, levemente frutada, com lúpulos terrosos, herbácios levando a um final amargo e seco). 

Próximo bar foi o nosso favorito de toda a viagem, o Kulminator. Decoração sensacional e ambiente super agradável, com dois senhores na casa dos 80 anos atendendo as mesas. Mas o principal era o cardápio (ou bíblia) de cervejas... umas variedade assustadora. As mais raras, reservas, edições limitadas de diversos anos... TODAS! Iniciei com calma e pedi uma saison Surfine (leve, equilibrada, refrescante, mas sem nenhuma característica marcante), logo após pedi a cerveja que ocupou o segundo lugar das melhores cervejas que bebi... a Oerbier Special Reserva 2013 (uma Belgian Strong Ale envelhecida em barril de vinho tinto com 13.00% Abv. Cerveja rica e complexa no palato, com características de frutas escuras e especiarias. Final ácido e seco, com tanino derivado do barril de carvalho e o vinho tinto arredondando o conjunto... Espetacular!!). 







De lá, volamos para o 't Antwaerps Bierhuyske e pedimos uma Lou Pepe Geuze 2001 de 750ml para dividirmos. Lambic divina! moderada acidez, levemente azeda, características bem presentes do barril com alta carbonatação, fazendo a boca salivar e pedir o próximo gole. 
De lá fomos proteger nossos fígados com frituras para poder encarar o próximo round. Het Oud Arsenaal, foi o bar da vez. Localizado em uma área tranquila da cidade com ótimo atendimento. Tai pediu a excelente Orval (review acima) e eu fui de Rodenbach Vintage 2011 (Intensa, complexa e refrescante. Tem como característica, a acidez, um toque frutado de maça, caramelo e baunilha com corpo licoroso). 


Votamos para o Kulminator e a Tai pediu novamente a sua favorita Avec Les Bons Voeux (review acima) e eu pedi uma que um amigo indicou... a saborosíssima Black Albert Vintage 2015 (minha primeira Imperial Stout belga. Apesar dos 13% ABV, a cerveja desce bem e o álcool se mostra bem inserido. Corpo denso, licoroso, com amargor intenso e sabor de tostado contraponto com o dulçor do açucar candi. Definitivamente uma cerveja para apreciar em pequenos goles). Próxima rodada foi de Bacchus Kriek (cerveja frutada de cereja, mais adocicada) para a Tai e eu arrebatei uma edição de natal, a Oerbier Stille Nacht (mais uma cerveja nota 10 para a lista... 12%abv, potente mas fácil de beber. Dulçor bem presente derivado do açúcar candi, mas conta com um final amargo do lúpulo e ácido vindo da fermentação). Essa cervejaria, a De Dolle, se tornou uma das minha favortiras! 





Para fechar a noite e a viagem, voltamos ao Pater's Vaetje para as saideiras. Tai foi da clássica Tripel Karmeliet (review acima) e eu não poderia deixar de tomar a melhor de todas no último dia, a Rochefort 10 (review acima). 
Ao longo de 7 meses, experimentamos centenas cervejas de diversos países. Chegamos à conclusão que não há nenhum lugar do mundo que chegue nem perto da Bélgica. Qualidade, variedade, sabor, estilos, tradição, cultura.... esse país é realmente um oásis para quem gosta de cerveja!

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